Saturday, 3 March 2012

ACASO

"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "

Antoine de Saint-Exupéry

Sunday, 26 February 2012

Metade

"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio...
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que amo seja para sempre amada, mesmo que distante
Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas.
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflicta o meu rosto num doce sorriso, que me lembro ter
dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer
inquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar, pois é preciso simplicidade pra
fazê-la florescer.

Porque metade de mim é plateia e a outra metade é uma canção.
Que a minha loucura seja perdoada,
porque metade de mim é amor...
e a outra metade também. "

Oswaldo Montenegro

Sunday, 22 January 2012

Escolhas


"As nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que somos. É lógico que se devem reavaliar decisões e mudar de caminho: NINGUÉM é o MESMO para SEMPRE! No entanto,essas mudanças devem acrescentar, e não anular a vivência do caminho percorrido anteriormente. A estrada é LONGA e o tempo é CURTO. Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as consequências destas ações. Lembre-se: as suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua..."
(adaptado de Pedro Bial)

No dilema da reflexão, neste meu desenho de balanças prós e contras, no turbilhão de pensamentos apelo ao meu lado mais pragmático.

Escrevi eu, um dia, autobiograficamente:
"Quem fui, deixei-o de o ser. Quem serei não sei, apenas adivinho.
Não alimento regras no pensamento, nem aceitação primária. Há sim a descoberta do Mundo e da beleza que dele faz parte.
Conforto?
Rejeito.
Estabilidade?
Q.B. faz bem, mais do que isso - Não obrigada.
Estagna quem não quer, não ambiciona, não sonha.
Adoro a diversidade, a capacidade de adaptação, a vida no seu esplendor. Luta essa sempre.
Adoro e Preciso de diversidade.
No meu caminho apenas uma certeza, ser eu.
Diplomacia? Só se dela depender a minha integridade."


ENTÃO...
Vale a pena sentar-me na cadeira quando o sol brilha lá fora?

Bato com a porta. Adeus, voltarei outro dia.

Wednesday, 5 October 2011

Engolir cobras

Hoje estava a lavar louça e pensava: "- O SAPO é um animal díficil de engolir. Prefiro engolir cobras!"

Saturday, 26 March 2011

No baloiço do balanço


Entrevista do Público a Ingrid Betancourt, senadora que sonhava mudar a Colômbia, esteve 2321 dias refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) tendo sido resgatada em Julho de 2008.

“Em que é que mudou?… Vivemos numa sociedade que nos formata. Na selva tomei consciência de uma realidade muito diferente: uma pessoa não tem que ser o que não quiser ser. E isso implica um grande esforço,… implica uma pessoa enfrentar-se a si mesma e transformar-se. Quando digo que sou uma mulher diferente, isso é mesmo verdade, não tanto por considerar que consegui as mudanças que quis, mas porque me tornei consciente de que me fui transformando e que cada vez o consigo melhor.”

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Diário de bordo – dia em que decidi vir para Inglaterra (Jan 09). Cito
Há decisões que quando tomadas tem de ser enfrentadas.
Levo a preocupação comigo e na mesma mala a vontade de estar, sempre que de mim precisarem. Antes não precisem. Seja antes uma ocasião, acima de tudo um querer, a trazer-me de volta, e que a questão económica nunca me prenda.
“Agir, eis a inteligência verdadeira.
Serei o que quiser.
Mas tenho que querer o que for.
O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito.
Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?” Fernando Pessoa


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No baloiço do balanço (eu pergunto) em que é que mudei?
Preciso recuar no tempo, lembrar não todos os momentos, só aqueles que se foram entranhando em mim. Pela diferença, pela importância ou por razão nenhuma.
Somos feitos de histórias para contar.
A colocação jornalística do “em que é que mudou” é irónica, seria tão mais justo dizer em que é que nos mudaram. Era menina de vila, de sonhos comuns (alguns ainda alimento), e de princípios banais. Ainda que na hierarquia de prioridades a família continue em primeiro, a minha decisão de vinda teve tanto de rebeldia como de egoísmo.
Hoje conheço-me melhor.
Continuo sem saber o que realmente quero profissionalmente, porque sinceramente, descobri por outros o meu potencial. Mas, descobri o verdadeiro valor do dinheiro e tenho uma ideia das coisas realmente importantes na (minha) vida.

É tarefa de cada um organizar-se lá por dentro, olhar-se de fora e saber onde está a sua felicidade em determinado momento da sua vida.
Não ponham as lentes dos princípios do socialismo de Engels ou do capitalismo de Weber, não tenham vergonha se o vosso sorriso for maior a receber um iPod do que um abraço. A probabilidade dos dois acontecimentos é tão díspar que à luz da verdade, a minha reacção depende de onde me encontrar. Passo a explicar, se estiver a celebrar o meu aniversário com família e amigos iria adorar receber um iPod, mas se estiver a morrer na cama do hospital um abraço seria ‘música para os meus ouvidos’. O prescindir do iPod pela injusta estratificação das classes, isto é pelo sentido da palavra solidariedade é algo a não ser discutido aqui.

Ao ler Ingrid, os meus olhos brilharam.
Sou mais um fruto da sociedade contemporânea.
Uma sociedade que berra pelos seus direitos e que esquece os seus deveres.
Cabe a cada um de nós a pró actividade.
Permitam-me citar o discurso de tomada de posse de Cavaco Silva (sem manchar este texto com cores politicas).
Diz assim
“Os cidadãos devem ter consciência de que é preciso mudar (…) Eles próprios tem de mudar a sua atitude, assumindo de forma activa e determinada um compromisso de futuro que traga de novo a esperança às gerações mais novas. É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem que só uma grande mobilização da sociedade civil permitira garantir um rumo de futuro (…) cada um tem de assumir as suas próprias responsabilidades.
Sonhem mais alto, acreditem na esperança de um tempo melhor. Acreditem em Portugal, porque esta é a vossa terra. É aqui que temos de construir um País à altura das nossas ambições (…) todos juntos, iremos vencer.”


Ao ler Ingrid,
(“…uma pessoa não tem que ser o que não quiser ser. E isso implica um grande esforço,… implica uma pessoa enfrentar-se a si mesma e transformar-se. Quando digo que sou uma mulher diferente, isso é mesmo verdade, não tanto por considerar que consegui as mudanças que quis, mas porque me tornei consciente de que me fui transformando e que cada vez o consigo melhor.”)

os meus olhos brilharam.
Sou mais um fruto da sociedade contemporânea.
O grande esforço que implica conheço em parte, sim transformei-me.
Mulher diferente não gosto, não me acho. Gosto de pensar que sou uma mulher normal. Sempre quis uma vida normal nos meus sonhos comuns.
Será essa que de uma forma ou de outra irei ter.
Será nessa que te darei um abraço, não em troca do iPod, sim em troca de um sorriso.

Monday, 21 March 2011

Quem lê Paulo Coelho lê assim:



"Na magia - e na vida - existe apenas o momento presente, o AGORA. O tempo não se mede da mesma maneira q se calcula a distância entre dois pontos. O 'TEMPO' NAO PASSA. O ser humano tem uma gigantesca dificuldade em concentrar-se no presente; está sempre a pensar no que fez, em como poderia ter feito melhor, quais as consequências dos seus actos, porque não agiu como deveria ter agido. Ou então preocupa-se c/o futuro, o que vai fazer amanhã, que providências devem ser tomadas, qual o perigo que o espera à esquina, como evitar o que não deseja e como conseguir aquilo com que sempre sonhou.
(...)
O Momento presente está p/além do tempo: é a Eternidade. Os indianos usam a palavra "karma", à falta de algo melhor. Mas o conceito está mal explicado: não é o que fizeste na tua vida passada que vai afectar o presente. É o que fazes no presente que redimirá o passado e logicamente mudará o futuro."

Paulo Coelho, O Aleph, Fev 2011.

Wednesday, 25 August 2010

"A galinha de vizinha é sempre maior que a minha"

"A galinha de vizinha é sempre maior que a minha".

O provérbio é antigo mas a sua verdade continua entranhada na nossa sociedade. Considero que a mesma associada à "Automutilação", isto é, à vitimização do individuo no julgamento (maioritáriamente comparativo) da sua vida estão para a sociedade como as ervas daninhas estão para um belo jardim.
Persistentes, prejudiciais e (infelizmente) vulgares na sociedade.

A ambição de um ser humano é um conceito complexo e intimamente relacionado com a sua origem. O "querer" do individuo para sua propria satisfacao pessoal deve ser louvado, porventura, o querer do individuo porque o outro ou a sociedade o "exigem" é algo mediocre e impensável hoje em dia, estando as classes sociais tão definidas.

Nada do que escrevo é novo, o viver com o que não se têm extrapolou e transformou-se na crise económica mundial que se levanta e deita connosco todas as noites, que se repete nos telejornais e nos jornais, que nós deixa invulgarmente impávidos de tão habituados a ela.

No entanto escrevo porque acredito no poder do ser humano. Citando António Gedeão "o sonho comanda a vida". Nos dias de hoje, aqueles que fazem desta situação amuleto e para além disso, a vivem no seu quotidiano devem sentir-se orgulhosos.
Na minha opinião é este pensamento que distingue o ser racional do irracional, o humano da Natureza. É isso que faz com que deixemos de viver no oceano onde o tubarão do mar alto come a sardinha do mercantil, em que o ciclo da vida se vive de acordo com as escrituras.

A capacidade de sonhar e a capacidade de viver esse sonho são dois aspectos distintos. Eu diria que como ser racional todos nós sonhamos mas que por diversas razões só uma percentagem mínima vive para concretizar esse sonho.
As pressões sociais são tão avassaladoras que quando nos sentamos no sofá todos os dias, só desejamos férias do trabalho, e quem não o têm deseja encontrá-lo mas no fundo se pudesse escolher, encomendava um pacote cujo nome é trabalho + estabilidade.

Qual de nós diria não a uma posição permanente para andar à deriva?

Escrevo essencialmente para o meu extrato social e etário, pois é aquele que conheço por vivência.

A mudança de casa é trabalhosa? A mãe ainda nos faz a comida...?
Mudar de cidade é díficil?
Mudar de país impensável?

No Mundo global com que a nossa geração foi premiada orgulho-me de todos aqueles a quem os conceitos "emigração" e "imigração" ficam gravados na sua lápide.
Deixaram de ser pesadelos e abriram portas.

Nesta sociedade viciada e comodista o sonho e por vezes a necessidade devem ser PASSAPORTE e oportunidade de crescimento.
A experiência pode nem sempre ser corresponder às expectativas mas apesar de nunca deixarmos de ser quem eramos revemos sempre quem somos.

Há que acreditar TENTANDO.

Todo o ser humano é por consequência um ser complexo.
A sua personalidade, o seu passado e a sua lista de prioridades em vida, são impressões digitais de cada um, por isso, o meu grito de ipiranga quando lido pode ou não ser ouvido.

Quem o ouve que o digira, e que se escute a si mesmo.

O OCEANO É GRANDE, MAS HÁ UM CÉU ENORME À ESPERA DE QUEM SONHOU E QUER APRENDER A VOAR.