Wednesday, 5 October 2011
Engolir cobras
Hoje estava a lavar louça e pensava: "- O SAPO é um animal díficil de engolir. Prefiro engolir cobras!"
Saturday, 26 March 2011
No baloiço do balanço
Entrevista do Público a Ingrid Betancourt, senadora que sonhava mudar a Colômbia, esteve 2321 dias refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) tendo sido resgatada em Julho de 2008.
“Em que é que mudou?… Vivemos numa sociedade que nos formata. Na selva tomei consciência de uma realidade muito diferente: uma pessoa não tem que ser o que não quiser ser. E isso implica um grande esforço,… implica uma pessoa enfrentar-se a si mesma e transformar-se. Quando digo que sou uma mulher diferente, isso é mesmo verdade, não tanto por considerar que consegui as mudanças que quis, mas porque me tornei consciente de que me fui transformando e que cada vez o consigo melhor.”
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Diário de bordo – dia em que decidi vir para Inglaterra (Jan 09). Cito
Há decisões que quando tomadas tem de ser enfrentadas.
Levo a preocupação comigo e na mesma mala a vontade de estar, sempre que de mim precisarem. Antes não precisem. Seja antes uma ocasião, acima de tudo um querer, a trazer-me de volta, e que a questão económica nunca me prenda.
“Agir, eis a inteligência verdadeira.
Serei o que quiser.
Mas tenho que querer o que for.
O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito.
Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?” Fernando Pessoa
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No baloiço do balanço (eu pergunto) em que é que mudei?
Preciso recuar no tempo, lembrar não todos os momentos, só aqueles que se foram entranhando em mim. Pela diferença, pela importância ou por razão nenhuma.
Somos feitos de histórias para contar.
A colocação jornalística do “em que é que mudou” é irónica, seria tão mais justo dizer em que é que nos mudaram. Era menina de vila, de sonhos comuns (alguns ainda alimento), e de princípios banais. Ainda que na hierarquia de prioridades a família continue em primeiro, a minha decisão de vinda teve tanto de rebeldia como de egoísmo.
Hoje conheço-me melhor.
Continuo sem saber o que realmente quero profissionalmente, porque sinceramente, descobri por outros o meu potencial. Mas, descobri o verdadeiro valor do dinheiro e tenho uma ideia das coisas realmente importantes na (minha) vida.
É tarefa de cada um organizar-se lá por dentro, olhar-se de fora e saber onde está a sua felicidade em determinado momento da sua vida.
Não ponham as lentes dos princípios do socialismo de Engels ou do capitalismo de Weber, não tenham vergonha se o vosso sorriso for maior a receber um iPod do que um abraço. A probabilidade dos dois acontecimentos é tão díspar que à luz da verdade, a minha reacção depende de onde me encontrar. Passo a explicar, se estiver a celebrar o meu aniversário com família e amigos iria adorar receber um iPod, mas se estiver a morrer na cama do hospital um abraço seria ‘música para os meus ouvidos’. O prescindir do iPod pela injusta estratificação das classes, isto é pelo sentido da palavra solidariedade é algo a não ser discutido aqui.
Ao ler Ingrid, os meus olhos brilharam.
Sou mais um fruto da sociedade contemporânea.
Uma sociedade que berra pelos seus direitos e que esquece os seus deveres.
Cabe a cada um de nós a pró actividade.
Permitam-me citar o discurso de tomada de posse de Cavaco Silva (sem manchar este texto com cores politicas).
Diz assim
“Os cidadãos devem ter consciência de que é preciso mudar (…) Eles próprios tem de mudar a sua atitude, assumindo de forma activa e determinada um compromisso de futuro que traga de novo a esperança às gerações mais novas. É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem que só uma grande mobilização da sociedade civil permitira garantir um rumo de futuro (…) cada um tem de assumir as suas próprias responsabilidades.
Sonhem mais alto, acreditem na esperança de um tempo melhor. Acreditem em Portugal, porque esta é a vossa terra. É aqui que temos de construir um País à altura das nossas ambições (…) todos juntos, iremos vencer.”
Ao ler Ingrid,
(“…uma pessoa não tem que ser o que não quiser ser. E isso implica um grande esforço,… implica uma pessoa enfrentar-se a si mesma e transformar-se. Quando digo que sou uma mulher diferente, isso é mesmo verdade, não tanto por considerar que consegui as mudanças que quis, mas porque me tornei consciente de que me fui transformando e que cada vez o consigo melhor.”)
os meus olhos brilharam.
Sou mais um fruto da sociedade contemporânea.
O grande esforço que implica conheço em parte, sim transformei-me.
Mulher diferente não gosto, não me acho. Gosto de pensar que sou uma mulher normal. Sempre quis uma vida normal nos meus sonhos comuns.
Será essa que de uma forma ou de outra irei ter.
Será nessa que te darei um abraço, não em troca do iPod, sim em troca de um sorriso.
Monday, 21 March 2011
Quem lê Paulo Coelho lê assim:
"Na magia - e na vida - existe apenas o momento presente, o AGORA. O tempo não se mede da mesma maneira q se calcula a distância entre dois pontos. O 'TEMPO' NAO PASSA. O ser humano tem uma gigantesca dificuldade em concentrar-se no presente; está sempre a pensar no que fez, em como poderia ter feito melhor, quais as consequências dos seus actos, porque não agiu como deveria ter agido. Ou então preocupa-se c/o futuro, o que vai fazer amanhã, que providências devem ser tomadas, qual o perigo que o espera à esquina, como evitar o que não deseja e como conseguir aquilo com que sempre sonhou.
(...)
O Momento presente está p/além do tempo: é a Eternidade. Os indianos usam a palavra "karma", à falta de algo melhor. Mas o conceito está mal explicado: não é o que fizeste na tua vida passada que vai afectar o presente. É o que fazes no presente que redimirá o passado e logicamente mudará o futuro."
Paulo Coelho, O Aleph, Fev 2011.
Wednesday, 25 August 2010
"A galinha de vizinha é sempre maior que a minha"
"A galinha de vizinha é sempre maior que a minha".
O provérbio é antigo mas a sua verdade continua entranhada na nossa sociedade. Considero que a mesma associada à "Automutilação", isto é, à vitimização do individuo no julgamento (maioritáriamente comparativo) da sua vida estão para a sociedade como as ervas daninhas estão para um belo jardim.
Persistentes, prejudiciais e (infelizmente) vulgares na sociedade.
A ambição de um ser humano é um conceito complexo e intimamente relacionado com a sua origem. O "querer" do individuo para sua propria satisfacao pessoal deve ser louvado, porventura, o querer do individuo porque o outro ou a sociedade o "exigem" é algo mediocre e impensável hoje em dia, estando as classes sociais tão definidas.
Nada do que escrevo é novo, o viver com o que não se têm extrapolou e transformou-se na crise económica mundial que se levanta e deita connosco todas as noites, que se repete nos telejornais e nos jornais, que nós deixa invulgarmente impávidos de tão habituados a ela.
No entanto escrevo porque acredito no poder do ser humano. Citando António Gedeão "o sonho comanda a vida". Nos dias de hoje, aqueles que fazem desta situação amuleto e para além disso, a vivem no seu quotidiano devem sentir-se orgulhosos.
Na minha opinião é este pensamento que distingue o ser racional do irracional, o humano da Natureza. É isso que faz com que deixemos de viver no oceano onde o tubarão do mar alto come a sardinha do mercantil, em que o ciclo da vida se vive de acordo com as escrituras.
A capacidade de sonhar e a capacidade de viver esse sonho são dois aspectos distintos. Eu diria que como ser racional todos nós sonhamos mas que por diversas razões só uma percentagem mínima vive para concretizar esse sonho.
As pressões sociais são tão avassaladoras que quando nos sentamos no sofá todos os dias, só desejamos férias do trabalho, e quem não o têm deseja encontrá-lo mas no fundo se pudesse escolher, encomendava um pacote cujo nome é trabalho + estabilidade.
Qual de nós diria não a uma posição permanente para andar à deriva?
Escrevo essencialmente para o meu extrato social e etário, pois é aquele que conheço por vivência.
A mudança de casa é trabalhosa? A mãe ainda nos faz a comida...?
Mudar de cidade é díficil?
Mudar de país impensável?
No Mundo global com que a nossa geração foi premiada orgulho-me de todos aqueles a quem os conceitos "emigração" e "imigração" ficam gravados na sua lápide.
Deixaram de ser pesadelos e abriram portas.
Nesta sociedade viciada e comodista o sonho e por vezes a necessidade devem ser PASSAPORTE e oportunidade de crescimento.
A experiência pode nem sempre ser corresponder às expectativas mas apesar de nunca deixarmos de ser quem eramos revemos sempre quem somos.
Há que acreditar TENTANDO.
Todo o ser humano é por consequência um ser complexo.
A sua personalidade, o seu passado e a sua lista de prioridades em vida, são impressões digitais de cada um, por isso, o meu grito de ipiranga quando lido pode ou não ser ouvido.
Quem o ouve que o digira, e que se escute a si mesmo.
O OCEANO É GRANDE, MAS HÁ UM CÉU ENORME À ESPERA DE QUEM SONHOU E QUER APRENDER A VOAR.
O provérbio é antigo mas a sua verdade continua entranhada na nossa sociedade. Considero que a mesma associada à "Automutilação", isto é, à vitimização do individuo no julgamento (maioritáriamente comparativo) da sua vida estão para a sociedade como as ervas daninhas estão para um belo jardim.
Persistentes, prejudiciais e (infelizmente) vulgares na sociedade.
A ambição de um ser humano é um conceito complexo e intimamente relacionado com a sua origem. O "querer" do individuo para sua propria satisfacao pessoal deve ser louvado, porventura, o querer do individuo porque o outro ou a sociedade o "exigem" é algo mediocre e impensável hoje em dia, estando as classes sociais tão definidas.
Nada do que escrevo é novo, o viver com o que não se têm extrapolou e transformou-se na crise económica mundial que se levanta e deita connosco todas as noites, que se repete nos telejornais e nos jornais, que nós deixa invulgarmente impávidos de tão habituados a ela.
No entanto escrevo porque acredito no poder do ser humano. Citando António Gedeão "o sonho comanda a vida". Nos dias de hoje, aqueles que fazem desta situação amuleto e para além disso, a vivem no seu quotidiano devem sentir-se orgulhosos.
Na minha opinião é este pensamento que distingue o ser racional do irracional, o humano da Natureza. É isso que faz com que deixemos de viver no oceano onde o tubarão do mar alto come a sardinha do mercantil, em que o ciclo da vida se vive de acordo com as escrituras.
A capacidade de sonhar e a capacidade de viver esse sonho são dois aspectos distintos. Eu diria que como ser racional todos nós sonhamos mas que por diversas razões só uma percentagem mínima vive para concretizar esse sonho.
As pressões sociais são tão avassaladoras que quando nos sentamos no sofá todos os dias, só desejamos férias do trabalho, e quem não o têm deseja encontrá-lo mas no fundo se pudesse escolher, encomendava um pacote cujo nome é trabalho + estabilidade.
Qual de nós diria não a uma posição permanente para andar à deriva?
Escrevo essencialmente para o meu extrato social e etário, pois é aquele que conheço por vivência.
A mudança de casa é trabalhosa? A mãe ainda nos faz a comida...?
Mudar de cidade é díficil?
Mudar de país impensável?
No Mundo global com que a nossa geração foi premiada orgulho-me de todos aqueles a quem os conceitos "emigração" e "imigração" ficam gravados na sua lápide.
Deixaram de ser pesadelos e abriram portas.
Nesta sociedade viciada e comodista o sonho e por vezes a necessidade devem ser PASSAPORTE e oportunidade de crescimento.
A experiência pode nem sempre ser corresponder às expectativas mas apesar de nunca deixarmos de ser quem eramos revemos sempre quem somos.
Há que acreditar TENTANDO.
Todo o ser humano é por consequência um ser complexo.
A sua personalidade, o seu passado e a sua lista de prioridades em vida, são impressões digitais de cada um, por isso, o meu grito de ipiranga quando lido pode ou não ser ouvido.
Quem o ouve que o digira, e que se escute a si mesmo.
O OCEANO É GRANDE, MAS HÁ UM CÉU ENORME À ESPERA DE QUEM SONHOU E QUER APRENDER A VOAR.
Friday, 9 October 2009
Padronizando as (x) e as (d) da vida
Um dia
Após uma semana de trabalho,
Sentei-me com uma folha em branco a frente.
Olhámos uma para a outra.
Primeiro sem paciência, depois com relutância, e só depois já vencida peguei na caneta.
Com a caneta penso: o tema será algo sobre o qual irei discorrer – mas o quê?
Penso no tempo.
Chuva, vento, neve ou sol, radiante ou envergonhado? Não.
Vivências, as temporais e as intemporais… o tempo… o calendário que temos como bónus por termos nascido.
Nós nem pedimos nada… mas lá vem a frase a “cavalo dado não se olha o dente”, e nós sem olhar o dente lá seguimos com ele, lado a lado.
Uns chamam-lhe cruz (x) outros dádiva (d).
Eu diria que a relatividade a que estão sujeitas ambas as terminologias é ténue, depende se esses “uns” se encontram em tempos gloriosos ou não.
Assim sendo, por constatação da realidade da vida, se pegarmos na agenda podemos resumir o nosso percurso com (x)’s e (d)’s.
Modelo objectivo mas, incompleto se lembrarmos uns quantos dias enublados que vamos entrelaçando (xººººdºººxºººxºººººººººd…).
Passo a esclarecer enublados, digamos: melancolia, solidão, loucuras demasiado loucas, trabalho, falta de sorte, falta de ânimo, falta de algo…
É precisamente nesta altura que me lembro de vos lembrar que este modelo se encontra também ameaçado pela relatividade dos conceitos.
Vamos ver se me faço entender: espreito pela janela, está um raio de sol, abro a janela, para mim está frio, não confiando levo o casaco e saio à rua. Mas ao meu lado vai um inglês em calções e t-shirt, e digo a berrar para dentro de mim mesma – estes “gajos” tomam drogas! – num pensamento mais que estereotipado.
Ok. Agora, objectivamente: entre a cruz e a dádiva, os limites são com cada um.
Ora sendo eu (dizem que) formada na área das ciências (confidenciando-me um pouco para alicerçar esta conversa tão fútil), começo a ser apologista da generalização e padronização deste modelo.
Digamos que a criação de um padrão, de uma escala cujos limites seriam (x) e (d) e entre ambos mais ou menos nuvens (ººº).
Escala essa que inclui-se uma descrição detalhada e alguns exemplos de situações concretas da vida.
Que fosse ajustada aos diferentes extractos sociais (explico, como compreendem quando entro numa loja da Gucci é me indiferente se já não têm o casaco que gostava, primeiro porque vou pasmar com todos - pelo menos quando vir a etiqueta – mas para outros isso pode ser uma tragédia igual à do “tsunami no submundo” parafraseando esses mesmos).
E que além disso se ajustasse às diferentes culturas (é que senão levasse o casaco naquele dia teria somado uma nuvem só pelo congelar º, e se apanhasse uma gripe então outras tantas ºººººº, mas o outro lá ia, no seu calor de Verão).
(após este discorrimento fútil, devo terminar de forma política, isto é positiva e sonhadora, para não usar uma palavra feia - mentirosa)
Voltando à escala,
Esta proporcionaria um levantamento de resultados objectivo e de confiança.
Usando os conhecimentos científicos actuais, criar-se-ia um modelo computacional, com base nas médias, nos desvios padrões e tudo o mais. Esse modelo possibilitaria a previsão das fases da vida, nomeadamente dos (x) e (d) atempadamente.
A generalização, a padronização torna tudo mais fácil. Ora retomemos a ideia do casaco, agora em Portugal (para descartar a interferência cultural) suponhamos saio à rua sem ele, mas ao meu lado vai um português em calções e t-shirt, e digo a berrar para dentro de mim mesma – “este vai pior que eu! Vais ter ºº com possibilidade de ººººº pela probabilidade de uma gripe mais forte que a minha!”.
A comparação medíocre da minha felicidade com a infelicidade dos outros (o dia a dia na sociedade em que vivemos) faria com que na avaliação final do meu dia em vez de º colocasse um d-.
Imaginem o quão interessante seria puder estudar a interferência da crise económica (as lojas da Gucci cheias de malas, ou dos que nos roubam) e das estações do ano.
Imaginem o quão interessante seria chegar ao fim do calendário, de forma mais esclarecedora, ao fim da vida, puxar pelos números e dizer, 20% da minha existência foram (x), 50% foram (d) e 30% (ººº).
Reavaliar 10% das (ººº) e dizer:
- Sim, posso dizer com confiança que 60% da minha vida foi uma dádiva, 30% uma mistura de algo ou falta de algo, e 20% o preço que tive de pagar pelo pacote completo.
Sinceramente.
Após uma semana de trabalho,
que tema mais estúpido.
Isto de ir discorrendo, sem padrão, resulta sempre em tempo perdido. Meu e vosso.
Peço desculpa, mas acreditem em mim: a culpa é da caneta!!!
(e sendo eu fruto da sociedade em que vivemos, 90% das culpas estão nos outros, esta foi só uma coincidência bastante provável)
Maria Inês Campos, 09 October 09
Após uma semana de trabalho,
Sentei-me com uma folha em branco a frente.
Olhámos uma para a outra.
Primeiro sem paciência, depois com relutância, e só depois já vencida peguei na caneta.
Com a caneta penso: o tema será algo sobre o qual irei discorrer – mas o quê?
Penso no tempo.
Chuva, vento, neve ou sol, radiante ou envergonhado? Não.
Vivências, as temporais e as intemporais… o tempo… o calendário que temos como bónus por termos nascido.
Nós nem pedimos nada… mas lá vem a frase a “cavalo dado não se olha o dente”, e nós sem olhar o dente lá seguimos com ele, lado a lado.
Uns chamam-lhe cruz (x) outros dádiva (d).
Eu diria que a relatividade a que estão sujeitas ambas as terminologias é ténue, depende se esses “uns” se encontram em tempos gloriosos ou não.
Assim sendo, por constatação da realidade da vida, se pegarmos na agenda podemos resumir o nosso percurso com (x)’s e (d)’s.
Modelo objectivo mas, incompleto se lembrarmos uns quantos dias enublados que vamos entrelaçando (xººººdºººxºººxºººººººººd…).
Passo a esclarecer enublados, digamos: melancolia, solidão, loucuras demasiado loucas, trabalho, falta de sorte, falta de ânimo, falta de algo…
É precisamente nesta altura que me lembro de vos lembrar que este modelo se encontra também ameaçado pela relatividade dos conceitos.
Vamos ver se me faço entender: espreito pela janela, está um raio de sol, abro a janela, para mim está frio, não confiando levo o casaco e saio à rua. Mas ao meu lado vai um inglês em calções e t-shirt, e digo a berrar para dentro de mim mesma – estes “gajos” tomam drogas! – num pensamento mais que estereotipado.
Ok. Agora, objectivamente: entre a cruz e a dádiva, os limites são com cada um.
Ora sendo eu (dizem que) formada na área das ciências (confidenciando-me um pouco para alicerçar esta conversa tão fútil), começo a ser apologista da generalização e padronização deste modelo.
Digamos que a criação de um padrão, de uma escala cujos limites seriam (x) e (d) e entre ambos mais ou menos nuvens (ººº).
Escala essa que inclui-se uma descrição detalhada e alguns exemplos de situações concretas da vida.
Que fosse ajustada aos diferentes extractos sociais (explico, como compreendem quando entro numa loja da Gucci é me indiferente se já não têm o casaco que gostava, primeiro porque vou pasmar com todos - pelo menos quando vir a etiqueta – mas para outros isso pode ser uma tragédia igual à do “tsunami no submundo” parafraseando esses mesmos).
E que além disso se ajustasse às diferentes culturas (é que senão levasse o casaco naquele dia teria somado uma nuvem só pelo congelar º, e se apanhasse uma gripe então outras tantas ºººººº, mas o outro lá ia, no seu calor de Verão).
(após este discorrimento fútil, devo terminar de forma política, isto é positiva e sonhadora, para não usar uma palavra feia - mentirosa)
Voltando à escala,
Esta proporcionaria um levantamento de resultados objectivo e de confiança.
Usando os conhecimentos científicos actuais, criar-se-ia um modelo computacional, com base nas médias, nos desvios padrões e tudo o mais. Esse modelo possibilitaria a previsão das fases da vida, nomeadamente dos (x) e (d) atempadamente.
A generalização, a padronização torna tudo mais fácil. Ora retomemos a ideia do casaco, agora em Portugal (para descartar a interferência cultural) suponhamos saio à rua sem ele, mas ao meu lado vai um português em calções e t-shirt, e digo a berrar para dentro de mim mesma – “este vai pior que eu! Vais ter ºº com possibilidade de ººººº pela probabilidade de uma gripe mais forte que a minha!”.
A comparação medíocre da minha felicidade com a infelicidade dos outros (o dia a dia na sociedade em que vivemos) faria com que na avaliação final do meu dia em vez de º colocasse um d-.
Imaginem o quão interessante seria puder estudar a interferência da crise económica (as lojas da Gucci cheias de malas, ou dos que nos roubam) e das estações do ano.
Imaginem o quão interessante seria chegar ao fim do calendário, de forma mais esclarecedora, ao fim da vida, puxar pelos números e dizer, 20% da minha existência foram (x), 50% foram (d) e 30% (ººº).
Reavaliar 10% das (ººº) e dizer:
- Sim, posso dizer com confiança que 60% da minha vida foi uma dádiva, 30% uma mistura de algo ou falta de algo, e 20% o preço que tive de pagar pelo pacote completo.
Sinceramente.
Após uma semana de trabalho,
que tema mais estúpido.
Isto de ir discorrendo, sem padrão, resulta sempre em tempo perdido. Meu e vosso.
Peço desculpa, mas acreditem em mim: a culpa é da caneta!!!
(e sendo eu fruto da sociedade em que vivemos, 90% das culpas estão nos outros, esta foi só uma coincidência bastante provável)
Maria Inês Campos, 09 October 09
Monday, 5 October 2009
QUEM LÊ
Margarida Rebelo Pinto em Português Suave,
lê assim,
na 1ª página:
"Já deixei de me lamentar.
É uma das poucas lições que aprendi (...)
Passei anos a queixar-me até perceber que isso cansava as pessoas.
NINGUÉM é obrigado a carregar com as nossas penas.
Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de SUBIR A PUTA DA MONTANHA, quer queiras quer não, senão cai-te um piano, um avião ou uma bomba neste buraco em que meteste e nunca mais LEVANTAS OS CORNOS."
Nada deste parágrafo espelha o meu presente.
Estou bem.
Feliz.
Mas o que nos faz pensar na vida deve ser PARTILHADO.
Porque não aqui?, com quem me visita,
Welcome,
Maria, 30th September 09
-----------------------------------------------
POSTCARD MESSAGE
"Passaram três meses.
Passaram três meses desde que o avião descolou.
Na bagagem, apenas o bilhete de ida.
Aos 23 anos da minha vida tomei a decisão de partir.
Passaram três meses.
Pelas paredes da minha casa tenho as nossas fotos, sorrisos e sorrisos lembrando o passado e adivinhando o futuro.
Os 23 anos não cresceram mas sinto que nestes três meses cresci imenso.
No meio deste meio percurso apenas uma palavra "OBRIGADA", a todos aqueles que fizeram de mim o que sou hoje. E mais, não só o hoje, mas o que serei amanhã também.
Ninguém terá nunca a noção de quão importante é na vida das outras pessoas.
Ninguém terá nunca a noção do valor que têm por vezes as suas palavras nos outros, a sua forma de estar ou até mesmo a sua personalidade.
Uma influência constante no crescimento do “saber ser” e “saber estar” na vida.
Uma “pescadinha de rabo na boca” na sociedade que integramos."
Obrigada A TODOS OS MEUS AMIGOS,
a uns mais que a outros,
os primeiros saberão quem são.
Maio 2009
Margarida Rebelo Pinto em Português Suave,
lê assim,
na 1ª página:
"Já deixei de me lamentar.
É uma das poucas lições que aprendi (...)
Passei anos a queixar-me até perceber que isso cansava as pessoas.
NINGUÉM é obrigado a carregar com as nossas penas.
Cheguei a um beco sem saída e quando me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de SUBIR A PUTA DA MONTANHA, quer queiras quer não, senão cai-te um piano, um avião ou uma bomba neste buraco em que meteste e nunca mais LEVANTAS OS CORNOS."
Nada deste parágrafo espelha o meu presente.
Estou bem.
Feliz.
Mas o que nos faz pensar na vida deve ser PARTILHADO.
Porque não aqui?, com quem me visita,
Welcome,
Maria, 30th September 09
-----------------------------------------------
POSTCARD MESSAGE
"Passaram três meses.
Passaram três meses desde que o avião descolou.
Na bagagem, apenas o bilhete de ida.
Aos 23 anos da minha vida tomei a decisão de partir.
Passaram três meses.
Pelas paredes da minha casa tenho as nossas fotos, sorrisos e sorrisos lembrando o passado e adivinhando o futuro.
Os 23 anos não cresceram mas sinto que nestes três meses cresci imenso.
No meio deste meio percurso apenas uma palavra "OBRIGADA", a todos aqueles que fizeram de mim o que sou hoje. E mais, não só o hoje, mas o que serei amanhã também.
Ninguém terá nunca a noção de quão importante é na vida das outras pessoas.
Ninguém terá nunca a noção do valor que têm por vezes as suas palavras nos outros, a sua forma de estar ou até mesmo a sua personalidade.
Uma influência constante no crescimento do “saber ser” e “saber estar” na vida.
Uma “pescadinha de rabo na boca” na sociedade que integramos."
Obrigada A TODOS OS MEUS AMIGOS,
a uns mais que a outros,
os primeiros saberão quem são.
Maio 2009
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